Influenciadores além da vida: o mercado bilionário dos legados digitais
De criadores de conteúdo a estrelas do passado: como a morte transforma perfis em ativos lucrativos e controversos na era pós-digital
Influenciadores além da vida: o mercado bilionário dos legados digitais
Nunca antes a imortalidade digital esteve tão perto da realidade. Com a morte de figuras como o jogador de futebol Pelé, a rainha Elizabeth II e celebridades como o cantor Michael Jackson, o mercado de legados digitais explodiu. No entanto, são os influenciadores – aqueles que construíram carreiras inteiras em plataformas como YouTube, Instagram, TikTok e OnlyFans – que estão no centro dessa nova economia.
Segundo um relatório recente da consultoria Gartner, o mercado de ativos digitais pós-morte deve movimentar mais de US$ 2,5 bilhões até 2025. As estrelas digitais viram seus perfis se transformarem em verdadeiras máquinas de dinheiro mesmo após o falecimento, gerando receita com publicidade, vendas de NFTs, cursos online e até mesmo hologramas.
Casos como o de Paul Walker, que teve sua imagem recriada em Velozes e Furiosos 7 usando computação gráfica, e de Tupac Shakur, que voltou aos palcos em 2012 como holograma no festival Coachella, mostram que esse fenômeno não é novo. Mas agora, com a evolução da inteligência artificial, os influenciadores podem interagir com fãs mesmo depois de mortos, por meio de chatbots treinados com seus conteúdos.
A influencer Luísa Sonza já declarou publicamente que planeja deixar instruções para seu legado digital, enquanto o americano MrBeast teria contratado uma equipe para gerenciar seus canais caso morra. Até mesmo o rapper Lil Peep, falecido em 2017, continua gerando receita com lançamentos póstumos.
No entanto, a prática levanta questões éticas e legais. Famílias entram em guerra pelo controle de contas, fãs se sentem enganados por interações falsas, e as plataformas precisam decidir se mantêm ou não esses perfis ativos. O Instagram, por exemplo, tem uma política de ‘memorialização’ que impede a manipulação das contas, mas muitos influenciadores burlam a regra deixando senhas com parentes.
A tendência é que, em breve, vejamos influenciadores póstumos surgindo como marcas independentes, vendendo produtos licenciados e até mesmo participando de reality shows como hologramas. O futuro da influência digital pode estar além da vida.
