O Poder da Conversa: Como as Entrevistas Moldam a Opinião Pública em 2026
De talk shows a podcasts, as entrevistas se tornaram o termômetro da sociedade. Especialistas analisam o impacto e os bastidores desse formato que conquista cada vez mais espaço na mídia.
A ascensão das entrevistas na era digital
Em 2026, as entrevistas deixaram de ser apenas um gênero jornalístico para se tornarem um fenômeno cultural. Com a proliferação de podcasts e canais no YouTube, personalidades de todas as áreas — de artistas a cientistas — têm utilizado esse formato para se conectar diretamente com o público. Segundo a pesquisadora Maria Fernandes, da Universidade de São Paulo, “a entrevista moderna é um espaço de construção de intimidade, onde o entrevistado se revela além do personagem público”.
Programas como o Roda Viva e o Podcast do Flow atraem milhões de espectadores, gerando debates acalorados nas redes sociais. A audiência não apenas assiste, mas participa ativamente, enviando perguntas e comentários em tempo real. Essa interação transforma cada entrevista em um evento ao vivo, com potencial de pautar o noticiário por dias.
Bastidores: a arte de fazer perguntas
Para o jornalista Carlos Alberto Sardenberg, a chave de uma boa entrevista está na pesquisa e na escuta ativa. “Não se pode chegar com um roteiro engessado; é preciso saber ouvir e improvisar”, afirma. Sardenberg é conhecido por suas entrevistas incisivas no rádio e na TV, que já renderam momentos memoráveis com políticos e economistas.
Além da técnica, há também o aspecto ético. A jornalista Renata Vasconcellos, da GloboNews, destaca a importância de respeitar o entrevistado e o telespectador. “Nossa função é informar, não constranger. Mas sem deixar de ser rigorosa na apuração”, diz. Ela acredita que as entrevistas são fundamentais para a democracia, pois permitem que a população conheça a fundo as propostas e o caráter dos candidatos a cargos públicos.
O futuro: entrevistas com inteligência artificial?
Com o avanço da tecnologia, algumas empresas começam a experimentar entrevistas mediadas por inteligência artificial. A startup Conversa lançou recentemente um assistente virtual capaz de fazer perguntas personalizadas para celebridades, gerando conteúdo exclusivo para fãs. Apesar da novidade, especialistas alertam para os riscos: a autenticidade das respostas e a privacidade dos participantes são questões ainda em aberto.
Enquanto isso, o público segue ávido por boas histórias e revelações. As entrevistas continuam sendo um dos formatos mais democráticos da comunicação, capazes de dar voz a quem muitas vezes não é ouvido. Em tempos de polarização, elas também servem como pontes de diálogo entre visões diferentes. Afinal, como diria o poeta Ferreira Gullar, “a vida é a arte do encontro”. E cada entrevista é, no fundo, um encontro entre duas almas que se revelam uma à outra.
