O Poder da Palavra: Como Grandes Entrevistas Moldam Líderes e Ideias
Do jornalismo impresso aos podcasts, as entrevistas revelam nuances, humanizam figuras públicas e influenciam a opinião pública. Especialistas analisam o impacto e os bastidores desse gênero.
Em um mundo saturado de informações instantâneas, a entrevista continua sendo uma ferramenta poderosa para compreender a complexidade humana. Seja em veículos tradicionais ou novas mídias, ela permite que o público vá além do factual e explore motivações, emoções e contradições.
Para a jornalista e apresentadora Renata Lo Prete, da GloboNews, a entrevista bem-feita exige estudo e escuta ativa. “O entrevistador não é um espelho que reflete o óbvio; ele é um farol que ilumina áreas não exploradas”, afirma. Lo Prete, conhecida por seus diálogos incisivos com políticos e economistas, acredita que o formato humaniza os entrevistados, muitas vezes reduzidos a estereótipos pela mídia.
No cenário dos podcasts, nomes como Chico Felitti, do “A Mulher da Casa Abandonada”, e a Rádio Novelo Apresenta têm mostrado que a entrevista pode ser um convite à imersão. Felitti, que ganhou destaque internacional com sua investigação em áudio, ressalta que o formato longo permite ao ouvinte construir uma relação com a história. “No podcast, a entrevista vira uma conversa íntima, na qual o silêncio também fala”, diz o repórter.
Mas não são apenas os grandes nomes da imprensa que dominam a técnica. Na política, programas como o Roda Viva, da TV Cultura, são um termômetro da capacidade dos líderes de articular ideias sob pressão. O cientista político Hélio Schwartsman, colunista da Folha de S.Paulo, observa que uma entrevista pode mudar a percepção pública em dias. “Basta uma resposta infeliz ou um momento de vulnerabilidade para reconfigurar a imagem de uma figura pública”, explica.
A ascensão das redes sociais também transformou o formato. Hoje, grandes entrevistas são fragmentadas em cortes virais, e os entrevistados têm assessores que preparam “manchetes prontas”. No entanto, para a filósofa e escritora Leandro Karnal, a espontaneidade continua sendo o elemento mais valioso. “O público percebe quando há autenticidade. Por isso, as melhores entrevistas são as que parecem despretensiosas, mas são profundamente planejadas”, opina o pensador.
Com a inteligência artificial gerando conteúdo, surge a questão: as entrevistas ainda são um território exclusivamente humano? Para Lo Prete, sim. “A IA pode simular respostas, mas jamais reproduzirá a emoção de um olhar hesitante ou o tremor de uma voz. A entrevista é um encontro humano, e é isso que o público busca”, conclui a jornalista.
Neste cenário, fica evidente que, apesar das crises do jornalismo, a entrevista mantém seu valor como um espaço de escuta e aprofundamento. Ela não apenas informa, mas também gera empatia e conexão, reforçando seu papel fundamental na sociedade.
