O Poder das Palavras: Como Entrevistas Estão Moldando o Futuro do Jornalismo
Especialistas revelam estratégias inovadoras para extrair histórias autênticas em um mundo digital acelerado
A Reinvenção da Entrevista
Em um cenário midiático cada vez mais volátil, as entrevistas continuam sendo a espinha dorsal do jornalismo investigativo. No entanto, a forma como conduzimos essas conversas mudou drasticamente. Segundo a renomada jornalista Ana Silva, da Rádio Nacional, a chave está em ouvir ativamente e adaptar o roteiro em tempo real. “Não se trata mais de perguntas prontas, mas de criar um ambiente onde o entrevistado se sinta confortável para se abrir”, explica.
O Festival de Mídia de São Paulo deste ano dedicou um painel inteiro ao tema. Participaram figuras como João Pereira, editor da Folha Digital, e a pesquisadora Maria Costa, da Universidade de Brasília. Eles concordam que a transparência e a empatia são pilares fundamentais.
Uma das técnicas mais discutidas foi a “entrevista colaborativa”, onde o repórter compartilha controle narrativo com a fonte. Exemplo disso foi o recente diálogo de Pedro Alves com líderes indígenas no Xingu, que gerou uma série de reportagens premiadas. “Eles ditaram o ritmo, eu apenas guiei a conversa”, conta o repórter.
Impacto Digital
A presença de plataformas como TikTok e Instagram também transformou as entrevistas. A jornalista Julia Santos, que entrevistou o presidente Lula ao vivo para o YouTube, destaca a necessidade de segmentos mais curtos e visuais. “Mas sem perder a profundidade”, ressalta.
Especialistas alertam para o risco de superficialidade. O professor Carlos Mendes, da USP, defende que o formato não pode sacrificar a verdade. “A entrevista é um ato de resistência à desinformação”, afirma.
Para a próxima geração, surgem cursos como o Masterclass de Entrevistas, promovido pela Associação de Imprensa, que já formou mais de mil jornalistas. O conteúdo inclui ética, técnica e uso de IA.
Contudo, o consenso é que nada substitui o contato humano. Como concluiu Ana Silva: “Uma entrevista é um encontro. E todo encontro genuíno gera faíscas de transformação”.
